19 janeiro 2011


Um breve conto.

Nasci em uma cidadezinha chamada Lugar Nenhum,um lugar pequeno com poucos habitantes,vivi uma vida pobre em uma situação horrível,meu pai era alcoólatra e minha mãe prostituta.Não sabia ao certo o que seria de mim,mas teria de cuidar dos meus 5 irmãos.Com 15 anos saí de casa e fui tentar a vida na cidade grande,menina bonita,jovem e inocente,uma ótima opção para casas noturnas,mas eu preferi ser alguém melhor,consegui emprego em uma pensãozinha que acabei por me hospedar,100 reais o mês e pagava 40 para ficar.Me restava pouco mas dava pra viver .Os anos foram passando e com 17 anos vi que aquela vidinha de menina empregada já não me servia mais ,resolvi ir atrás de um novo emprego e achei uma vendinha que precisava de vendedoras,aceitei o emprego,belos tempos onde não se precisava de provas para trabalhar em uma vendinha.Fiquei lá por dois anos,ganhava uns 300 reais e uns trocados para o transporte.Com 18 anos comprei uma bicicleta velha em uma loja de usados,fiquei boba como tinha tudo naquela loja porém o meu dinheiro só dava mesmo para a bicicleta,pelo menos agora poderia guardar o dinheiro do transporte para mim.Quando completei 19 anos meu patrão faleceu,o fato dele ter morrido me aborreceu mas o de saber que eu estava desempregada me deixava completamente desesperada,ainda morava na pensão mas não precisavam mais de empregadas lá. Uma certa noite bebi em um boteco esperando afogar todas as minhas mágoas,fiquei bêbada e dormi na rua,pela manhã me vi em uma situação horrível,deitada em um banco,desempregada e com uma ressaca desgraçada.
Dona Marli era a proprietária da pensão e estava preocupada comigo,me pediu para que arrumasse um emprego logo pois eu já havia atrasado 1 mês no aluguel.Me dei de cara com uma forte decisão,tomar o rumo de minha mãe ou ser alguém melhor que isso e achar um emprego digno,o desespero foi tanto que acabei por aceitar.Fui até a casa noturna mais próxima e pedi emprego,disse que sabia fazer tudo,pobre de quem acreditou pois eu ainda era virgem. Pra minha surpresa acabei como dançarina da casa e eu não me envolvia em relação com homem nenhum.Os homens me olhavam como quem me desejasse ,fiquei assustada no começo mas depois nem ligava mais.Foram anos e anos trabalhando lá.Com 20 anos eu fui ser comprada por uma noite,um cara muito rico se interessou por mim e não ligou em eu ser dançarina,ele queria a mim.Foi a minha primeira vez,que por favor ,não queira saber.
Depois disso acabei por ser vendida várias vezes,foram inúmeras vezes ao mês,e eu por dentro me envergonhava disso . Um dia um homem me comprou e disse que aquela seria a ultima noite da vida dele e que eu precisava fazê-lo o mais satisfeito possível.Perguntei a ele se ele gostaria de se lembrar quando chegasse ao céu que a sua ultima noite fora com uma prostituta,ele sorriu e disse: A ultima noite que estive com meu pai foi assim também,fiquei um pouco chocada por saber da tal tragédia familiar,nunca tinha visto o pai dele e sua mãe era como eu.Acabamos por conversar a noite toda,eu sentada na cama apenas a ouvir e a opinar as vezes ,ele sentado no sofá de terno e gravata falando de sua vida como se fosse realmente morrer no dia seguinte.
Ele pagou naquela noite o equivalente a uns 700 reais só para apenas conversar comigo,na saída me deu um beijo na testa e saiu.Não vi ele depois disso e achei que nunca mais o veria.
Uns tempos depois resolvi sair da casa e trabalhar em outro lugar ,recebi a notícia que minha mãe havia morrido e meus irmãos foram cada um para o seu lado.Comecei a trabalhar em uma padaria como caixa,e assim fiquei até que um dia um rapaz comprou pães e leite ,quando olhei para ele me deparei com o tal “quase morto”,dei um sorriso discreto e continuei a trabalhar, ele me olhou e perguntou se me conhecia ,envergonhada diante de tantas pessoas eu disse que não,ele me olhou firmemente nos olhos e me deu o cartão dele ,pediu para que eu o procurasse o quanto antes.Uma semana se passou e eu não tive coragem de ligar para ele,e de repente o meu telefone toca,quando atendi era ele,eu não sabia como havia conseguido meu telefone mas concordei em sair com ele.Saímos e ele me contou que disse aquilo porque estava com um câncer e sabia que ia morrer mas que por algum motivo o câncer foi se curando e ele acabou ficando bom novamente.Tomamos vinho e conversamos mais uma vez,e como foi divertido ,nunca havia me sentido tão bem assim.Nos encontramos muitas vezes e acabamos namorando por 3 anos,depois disso acabamos nos casando,fui para a empresa dele e assumi o cargo de diretora geral.Não tivemos nenhum filho que fosse nosso,quando consegui um dinheiro extra comprei uma casa velha e o transformei em uma agência de empregos,por dia milhares de garotas passavam por lá e todas saiam com emprego garantido.Consegui parceria com diversas empresas multimilionárias do país e até do exterior,em um ano eu era responsável pelo maior número de empregos do Brasil.Nenhuma garota foi pras ruas e o índice de prostituição diminuiu.Nunca achei que prostituição não fosse trabalho honesto,a verdade é que eu nunca acreditei que as meninas tivessem que tomar esse rumo para serem alguém.Hoje com 42 anos sou dona de 2 empresas ,uma no Brasil e outra no exterior,tenho 6 hospitais de câncer ,3.000 postos de entrega farmacêutica grátis e sou filiada ao PEAIJ (Programa de educação e alimentação infanto-juvenil) quero muito mais que isso,quero poder tornar toda garota digna de um bom emprego e provar que nada do que você faça enquanto você manter seu caráter ,vai poder te destruir ou fazer ser menosprezada
O meu nome deixo estar como : Mulher .Pros poucos homens que me conhecem e as muitas mulheres que me têm em si e não sabem.


Helley Hounsell

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